
As Prefeituras de Delfinópolis, Passos e São João Batista do Glória conseguiram ontem, na Justiça Federal de Minas Gerais, uma liminar proibindo Furnas de reduzir o nível da represa Mascarenhas de Moraes. O documento determina a suspensão imediata de qualquer medida que tente abaixar o reservatório até que a empresa apresente motivos, planos e cronogramas sobre a ação. Segundo o documento, a decisão teve por base dados técnicos que demonstraram “a alta probabilidade de prejuízos para a saúde pública, o direito de ir e vir, atividade econômica, o meio ambiente e abastecimento de água.”
Caso haja descumprimento da medida, Furnas estará sujeita a multa diária de R$ 50 mil. De acordo com o consultor jurídico da Prefeitura de Delfinópolis, Neisson da Silva Reis, da liminar cabe recurso por parte de Furnas, mas já é válida a partir do recebimento da decisão.
Nos últimos dias, um misto de tristeza e preocupação tem assolado Delfinópolis com o rebaixamento da represa feito por Furnas, a pedido do Governo Federal. A intenção é rebaixar o nível da água em 13 metros. Segundo Furnas, o rebaixamento ocorre em razão da estiagem e tem por objetivo ajudar na recuperação do reservatório de Furnas, que está com apenas 28% de sua capacidade. A operação visa ainda a manter o fornecimento de energia elétrica para o período da Copa do Mundo.
Antes mesmo do ato se concretizar por total, a medida causou revolta e alterou o cenário. A população e agricultores da cidade dizem que a água já está três metros mais baixa que o habitual. Quem chega à balsa para realizar a travessia sentido a Delfinópolis estranha o leito mais distante e uma faixa de areia às margens, que antes ficava encoberta. Também recebe a informação de que, em breve, o porto existente do outro lado será desviado e o trajeto de 1,6 mil metros na água cairá pela metade, aumentando o percurso na terra.
Na cidade, na conhecida prainha, troncos de árvores estão à mostra e uma vegetação, que agora ficou visível, bloqueia a passagem de embarcações. “Anteriormente a gente conseguia atravessar. Hoje, além da vegetação, tem o risco de a lancha encalhar, pois a água abaixou muito”, lamenta o agricultor Lucas Souza, 33, acostumado a navegar pela represa. Em alguns pontos do lago, apenas um filete d’água encobre o fundo, e a previsão é que a água sumirá por completo, deixando muitos ranchos secos.
Fonte: GCN Comunicação












